Uncategorized

“Nas quinas do quintal do mundo”

Afirmo, dona Angita: o quintal do mundo tem quina. Ora, se até o Tempo tem dobradura! Acredita, não, senhora? Pois tem.

Quando caminhei de solavanco de sonho, já desditado de tudo, é que fui atinar para as quinas das coisas. Sabe, o céu tem quatro quinas. É verdade. É uma caixa de azul onde Deus quis por bem guardar a terra para que ela não saísse quicando no espaço. Essa caixa é brinquedo divino, é nela que Deus, toda noite, se diverte a colar e descolar as estrelas.


Mas não percebe, dona? Minha vida foi sempre tropeço, então, quando tropecei ainda ontem naquela quina do quintal do mundo, era mais um
desalento, era coração em Celestina. Aqueles olhos pretos me fizeram amar a noite, amar a tristeza, e me fizeram inexistir, sempre que ela se afastava, sorrateira, para amar, eu bem sei, outro alguém.


Mas ela sempre voltava, dona Angita. Quando ela voltava eu vivia de novo. Eu vivia era Celestina, morava em Celestina, meus pés bem pouco resvalavam no chão. Eu não ralhava, não exigia direitos; fingia não saber.


Habituei-me muito cedo a morrer. Quando conheci o amor de Celestina, aprendi que de amor é que mais se morre por dentro e que nada morre sem fim. A morte chega acabada, finda, parada de tudo. A vida é uma costura dessas mortes. E são tão infinitas essas mortes que a vida não termina nunca.


Quando a moça engravidou, pensei que não era perigo ela apontasse outro pai ao rebento. Eu, marido legítimo, seria o pai, fosse o pai quem o fosse. Mas fui ficando ressabiado. Ela amuou-se, ensimesmada, taciturneando silêncios. Ainda meditei “É mal de gestação”, vendo a sua barriga a cada dia mais redonda e o seu coração mais e mais distante.


Eu fazia os seus gostos. Comprava as comidas. Mandei fazer um berço de ferro, pintado todo ele de dourado, coisa mais linda! Mas Celestina nada se encantava. Tão diferente…


Quando conheci minha flor, logo me iluminou seu sorriso, sua saia curta, mostrando as coxas; seu caminhar de faceira, como quem brincava de chutar, quando em quando, um qualquer vento. Ela era toda um convite, meu corpo não meditava, aceitava, só aceitava. E assim passei a visitar mais vezes que necessário a mercearia da esquina, onde a menina era caixa, na ajuda do avô.


E eu, que já matutava na velhice dos dias, já aos sessenta e tal, virava menino de novo e dava sempre jeito de fugir com Celestina, nem que fosse uns minutos. Ela era jovem demais, eu sei, pouco mais de 16, mas sabia amar com ninguém. Bastava olhar a boca entreaberta da moça e o meu corpo, todo o corpo, obedecia o coração. Não se pode dizer não quando cada espacinho de nada do corpo sussurra desejos assim.


E a gente fugia, cada hora a um lugar diferente, para que o corpo cumprisse a sina de amante. Assim se deu por semanas, até que o avô da menina atinou nas suas fugas. Foi assim que providenciei o casório. Logo eu, que nunca fui disso, que sempre quis viver solto no mundo, agora assim, já velho e todo bobo, no aguardo do casamento.
Noite mais linda! Celestina de branco, eu todo afoito, com medo que tudo fosse sonho e um infeliz desalmado me acordasse. Mas não era. Daquele dia em diante, eu, Zé Filício, fui o dono do céu.


Vi que até o céu tem coisa errada. Celestina era minha, mas era ainda de outros tantos. Mas que importa, desde que fosse minha?


Quando a barriga foi crescendo, começou a renegar meus carinhos. Não me olhava nos olhos, não me alisava na cama. Dizia: “Coisa de grávida, Zé, deixa eu quieta aqui no meu canto.” Eu deixava, mas sempre me desabava no chão um pedacinho de mim.
Naquele dia acordei, dona Angita, e não vi Celestina. Meu coração deu sinal de perigo. Eu velho, acabrunhado, doido de amor, sai aloucado, a procura da moça. E onde teria ido com aquele ventre tão crescido e pesado? Roguei a graça de Deus e dos santos todos, mas nada de Celestina. Depois de três dias encontrei um papel amassado caído embaixo da cama:


“Não me apetece ser mãe. O filho é bem seu e o meu amor também é. Zé, a vida é embaraço dos grandes e não quero sentar e desfazer os nós. Vou me jogar no rio antes mesmo do nascer do sol.”


Mas a Vila não tinha rio, dona Angita. Poderia a minha mulher se afogar num leito de inexistência? Só tem um rego d’água que mal molha as canelas da gente. E ela não tinha como sair da vila sem condução, ainda mais com aquela barriga de enormidade.
Foi então que sai correndo naquele quintal esquecido do mundo. Eu não sei se desconhecia que o quintal do mundo tem quina, ou se havia disso me
esquecido, e tropecei. Disseram que tomei veneno. Disso nem precisava, mais se morre de ingestão de tristeza.


Não sei como cheguei aqui, dona Angita. Essa camisa branca amarrada, essa tanta gente de branco, tudo é um engano sem tamanho. Preciso procurar Celestina. Ela deve andar embaixo da água de algum rio desse mundo, procurando alguma alegria que seja. Talvez meu menino já tenha nascido e segure a mão dela. Sabe, dona Angita, olharam meus documentos. Disseram que eu nunca fui casado, que Celestina nunca existiu, que ela é toda feita de loucura. Que ignorância, dona Angita! É que eles não se celestaram ainda. Só quem conhece o céu é que tudo sabe.

10527979_760290647364560_409760791_n
Foto: Joilson Kariri

https://app.monetizze.com.br/r/AKP8383613

Saiba como fazer Limpeza de Pele Caseira sem precisar recorrer a mascara preta e outras receitas …

Uncategorized

QUARENTENA VOLUNTÁRIA: CONSIDERE ESSA ATITUDE E SALVE VIDAS

Por
 Ana Macarini

A maior arma que temos agora em mãos é EVITAR O CONTATO SOCIAL!

SENSATEZ, de acordo com a definição do dicionário, significa: característica ou particularidade daquele que é sensato; ser humano equilibrado; aquele que age com bom-senso.

Verdade seja dita, sensatez faz parte do conjunto de elementos que anda em falta neste mundo; poderia, por exemplo, entrar na mesma lista do álcool gel e das máscaras descartáveis, tão procuradas nestes tempos estranhos em que, de repente, estamos às voltas com um quase desconhecido chamado coronavírus, ou para usar um termo mais técnico o COVID – 19.

Voltando ao significado das palavras, observemos o efeito de uma outra, uma que anda bem na moda, quando aparece escrita em textos ou ditas em discursos; mas que, na prática mesmo, é tão ou mais difícil de se colocar em prática do que a “sensatez”. A palavrinha famosa atende pelo nome de “EMPATIA”: capacidade de se colocar no lugar do outro.

Em poucas semanas, a comunidade científica ao redor de todo o planeta, vem se debruçando em busca de respostas acerca do COVID-19. As perguntas são incontáveis, e as respostas dependem de recursos, humanos e financeiros; aplicação de conhecimento; compartilhamento desse conhecimento entre médicos, cientistas e todos os profissionais de saúde envolvidos.

Enquanto isso, tivemos um aumento de 121 para 176 casos de coronavírus no Brasil, segundo novo balanço do Ministério da Saúde divulgado na tarde deste domingo, 15 de março, e ainda há 1.961 pacientes com suspeita da doença.

Medidas de prevenção seguem sendo divulgadas, na mídia, nas redes sociais, em cartazes no elevador, nas escolas, em todos os lugares por onde passamos há material de alerta disponível. Lavar as mãos várias vezes ao dia, com água corrente e sabão, por no mínimo 30 segundos; usar álcool gel para higienizá-las, se não houver água e sabão; ao tossir ou espirrar, abrigar o rosto no antebraço; usar lenços descartáveis; evitar contato físico, dar a mão, abraçar e beijar, na hora de cumprimentar o outro; caso esteja resfriado, não entrar em contato com outras pessoas; não buscar atendimento nos hospitais desnecessariamente. Todas essas medidas são bem-vindas e indiscutivelmente necessárias.

Entrando no assunto urgente, importante e grave que nos interessa, falemos de qual é a nossa parte na contenção deste vírus que, rapidamente, tornou-se o assunto mais recorrente em qualquer reunião de seres humanos.

O que podemos efetivamente fazer?

Como devemos nos comportar para proteger as pessoas mais vulneráveis: os idosos (pessoas acima de 60 anos); aqueles que tenham rebaixados seus recursos imunológicos (pacientes submetidos à quimioterapia, radioterapia, pessoas com doenças respiratórias, pessoas que necessitam fazer uso de imunossupressores); gestantes? Qual é a nossa responsabilidade, o nosso nível de sensatez, a nossa capacidade de sermos empáticos?

A maior arma que temos agora em mãos é EVITAR O CONTATO SOCIAL! Shows, peças teatrais e eventos estão sendo cancelados. Festas e reuniões familiares estão sendo adiadas. Viagens, ainda que não dependam de transportes coletivos (aviões, trens, ônibus), estão sendo postergadas.

Paremos, um instantinho. Coloquemos a mão na consciência e encontraremos a resposta. A resposta é FICARMOS EM CASA! Se todas as pessoas tiverem consciência do impacto desse gesto na contenção do COVID-19, quanto antes superaremos essa situação, com o menor número possível de vítimas.

Mas, alguns dirão “E a economia? Vai parar?”; “E os prejuízos?”. A economia certamente será impactada; não há alternativa. Não é uma hipótese. O vírus chegou aqui na nossa porta. Na porta do mundo, é uma PANDEMIA. O que estamos falando é sobre preservar VIDAS! A quarentena voluntária é uma arma poderosa para salvar vidas.

Há questões que são inegociáveis! Nada de boteco ou restaurante! Nada de ir à academia! Nada de clube! Nada de reunião de amigos! Nada de festinha! Nada de cinema! Agora, finalmente é um ótimo momento para darmos uma função positiva à nossa dependência dos telefones celulares! Façamos home office, atendimentos e reuniões por skipe, facetime, e todos os recursos que acabamos usando, mesmo quando estamos na mesa de casa na hora da refeição com a nossa família! Agora sim, estará certo substituir o encontro ao vivo pelo encontro virtual!

As escolas, pelo menos as mais conscientes de seu papel de “organização com fins educativos”, suspenderão as aulas a partir de amanhã (16 de março de 2020). Mas outros alguns dirão “Ué! Mas as crianças não fazem parte do grupo de risco! Pra quê suspender aula!”. Acontece que a criança não volta da escola dentro de uma cápsula, né? Ou volta?! Crianças, inclusive, podem ser portadoras do vírus e não ter nenhum sintoma; assim como muitos adultos. Uma pessoa assintomática, contamina outras pessoas do mesmo jeito, no elevador, no hall do prédio, ao colocar a mão no corrimão, na maçaneta.

O único jeito de reduzir danos e evitar a propagação é reduzir o contato social. Estamos num país de proporções continentais, onde pouquíssimas pessoas têm acesso a planos de saúde, medicamentos vendidos em farmácia e hospitais particulares de elite. A maior parte dos brasileiros depende do SUS para se tratar. E sem contenção de propagação do vírus, não haverá leito para todos que precisarem; não haverá respiradores; não haverá máscaras; não haverá luvas; não haverá médicos, nem enfermeiros!

Não é alarmismo! É bom senso! É responsabilidade, empatia e sensatez! Fazer a nossa parte é muito simples: FIQUEMOS EM CASA TANTO QUANTO NOS SEJA POSSÍVEL! Essa atitude é a nossa arma para salvar vidas.

Por meio da alimentação, é possível fortalecer o sistema imunológico e … Transforme esses alimentos em aliados da sua saúde e fortaleça o sistema imunológico … os melhores alimentos para sua imunidade e não deixe de incluí-los no seu …

Uncategorized

O verdadeiro patrimônio: um texto sobre o que realmente importa

Por
 CONTI outra
Pedro Schmaus
Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. . .

Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas. “Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?”, pensou o advogado. Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo.

Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se “sul da Tailândia”. Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo.

Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras. Na última página do álbum um mapa, quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado. Escrito à mão no meio do Oceano Pacífico uma pequena poesia:

Não construí nada que me possam roubar.
Não há nada que eu possa perder.
Nada que eu possa tocar,
Nada que se possa vender.

Eu que decidi viajar,
Eu que escolhi conhecer,
Nada tenho a deixar
Porque aprendi a viver.

Abraço!

E se você pudesse aprender alguns tratamentos caseiros simples para completamente eliminar sua celulite… na privacidade de sua própria casa… você faria isso?

https://go.hotmart.com/E21963529I

Se você sofre dessa mal chamada celulite…saiba que é possível reverter essa situação.Agora é a hora de fazer algo sobre isso.