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Um General na Amazônia

Por: Heródoto Barbeiro


Amazônia. Foto Paulo Santos/Agência Brasil

O general aceita a missão que lhe é confiada pelo presidente da república. Boa parte da chamada Amazônia Legal é desconhecida e precisa de um trabalho constante de avaliação se realmente possui tantas riquezas no sub solo como debatem os deputados e senadores na capital do país. As notícias são as mais desencontradas possíveis, uns dizem que há gigantescos depósitos de gás, outros de petróleo, há quem afirme que há um bom volume de riquezas. Contudo são os minérios como ouro e nióbio que são objetos de maior especulação. Ninguém sabe com certeza se existem ou não em quantidade comercial e se podem ser alvos de instalação de empresas rentáveis na área. Por isso chefiar uma missão de exploração dessa imensa área é um trabalho insano, uma vez que nem bem os rios são todos conhecidos, catalogados e percorridos. É necessário o apoio do exército com tropas e infraestrutura.

Há um temor que potencias estrangeiras tenham interesse na exploração das riquezas do interior do Brasil. Com o término da guerra mundial, os Estados Unidos se tornaram uma grande potência bélica e industrial. Precisa de matérias primas estratégicas e muitas delas podem estar no sul do continente. Até presidente americano andou pelas florestas brasileiras e recebeu como homenagem o nome de um rio. Nada melhor do que um líder militar para desbravar a região e estabelecer uma relação estável com as comunidades indígenas espalhadas por essa imensa área. Há os que anseiam por uma integração total dessas comunidades com os brancos através da cultura, educação, saúde, economia, adoção das novas tecnologias da época, enfim uma integração total com a realidade brasileira. Outros são refratários a essa ação e defendem a manutenção dos povos tradicionais em seu próprio mundo e que decidam se querem ou não ter na porta da aldeia uma draga de mineração de ouro, monocultura de eucalipto, ou uma usina de refino de petróleo e gás.

O general vive mais na região amazônica do que em sua casa no centro sul do país. Sua experiência de contato e tratamento com as tribos indígenas é constante e conhece a língua de boa parte delas. Passou por um período de real perigo quando foi atingido por uma flecha envenenada que parou em uma sacola de couro que levava no peito. Ainda assim não reagiu com a tropa que tinha a seu comando. Há quem diga que preferia morrer a matar um índio. O fato é que o general é um homem de confiança do presidente da república e quando poderia descansar depois de tantos anos no exército, aceita mais uma missão.  Diante do pedido do presidente Epitácio Pessoa, que chegou da conferência da Versalhes, que colocou fim a primeira guerra mundial, o general Cândido Rondon, mais uma vez se pôs a caminho da Amazônia legal e da aproximação com os indígenas. Foi um dos responsáveis pelo Parque Nacional do Xingu junto com os irmãos Villas Boas.

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